Memórias Salgadas- Saquarema-Parte 2- 1987
Em 1986, depois de passar um mês surfando as ondas perfeitas de Itaúna, em Saquerama, retornamos ao Sul. Entretanto, alguns surfistas locais nos deram dinheiro para que lhes enviassem cuias, bombas e erva mate para o chimarrão. Nunca mandamos. Um ano depois eu residia em Itapirubá e estava surfando na praia Sul, um mar bem ruim, ondas mexidas e com pouca face. De repente avistei um veículo dando sinal de luz. Saí da água e fui ver, para minha surpresa era meu amigo e parceiro de surf João Annonni. Ele me perguntou o que eu faria durante aquela semana e eu respondi que ficaria surfando em Itapirubá. E me convidou para voltarmos a Saquarema, o que aceitei sem tutibear. João pediu para que eu abrisse o porta malas do Ford Escort e fui surpreendido com mais de 20 cuias e bombas e cerca de 100 kg de erva-mate.
Depois de 24 h de viagem chegamos em Saquarema e dois locais nos avistaram- “ Olha os gaúchos do chimarrão!”, exclamaram eles, então distribuímos o material de chimarrão e Saquarema virou um reduto gaúcho. Naquela viagem eu estava com uma prancha da marca nordestina Radical, bi quilha. Como eu estava morando em Itapirubá há cerca de 8 meses, meu surf estava bem afinado. Nos dois meses em que ficamos em Saquarema, pegamos muitos mares clássicos.
Lembro de um em especial, na praia de Itaúna. O mar estava com ondas de uns 2 a 5m, perfeitas. Era de manhã sem vento e estávamos somente eu e o João na água. Peguei dezenas de direitas que abriram em longas paredes e nunca fechavam até morrer no canal. Não sou aquele surfista que faz manobras radicais, mas dropo com segurança, passo toda a onda em partes críticas e sem cair. Como estava em boa forma era difícil eu cair e com o passar do dias e cada vez mais familiarizado com as ondas de Saquarem, meu surf evoluiu muito.
Após dois meses em Saquarema, pelo segundo ano consecutivo, voltamos para Itapitubá, onde permaneci Por mais um longo período. Mas esta história eu conto depois...
07 de dezembro de 2012
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Memórias salgadas- Saquarema 1986- Parte 1
Em julho de 1986 eu estava passando uma temporada na Praia do Rosa. Hospedado na casa do Pelé e do Passarinho surfava diariamente altas ondas nas praias Vermelha, Rosa, Rosa Norte, Ferrugem e às vezes no Siriú. Certo dia apareceu um grande e estimável amigo, o João Annonni, surfista e tenista. João me perguntou o que eu faria nos próximos dias e respondi que ficaria pelo Rosa surfando as boas ondas que quebravam na época. Ele então me convidou para fazer uma viagem à Saquarema, litoral Norte do Rio de Janeiro. Sem pensar duas vezes. Embalei minha prancha Hot Stick, 6’6”, roupa de borracha e meus poucos pertences.
Saímos do Rosa por volta das 11h e pegamos a BR 101 rumo ao centro do país. Fomos num automóvel Gol GT 1.8, na época o mais esportivo e veloz do Brasil. Vinte e quatro horas depois estávamos entrando em Saquarema. Nos hospedamos em uma pousada localizada na área central da cidade e imediatamente fomos surfar em Itaúna, uma praia que quebra as melhores ondas do Brasil e conhecida como o Maracanã do surf. Naquela tarde o vento soprava Sudoeste, vindo do mar, e as ondas estavam muito ruins, mexidas e pequenas. Curtimos nosso primeiro banho e ao sair da água fizemos um chimarrão. Imediatamente alguns surfistas locais se juntaram a nós e partilhamos o chimarrão, conquistando a simpatia de todos. Isto era extremamente importante já que Saquarema tem um forte localismo.
No outro dia, ao amanhecer fomos direto para a Praia da Vila, localizada bem no centro de Saquarema, ao lado da Igreja que está construída sobre um pequeno morro que avança sobre o mar. Para nossa surpresa o mar estava grande e as condições não muito boas, pois a Vila não suporta grandes ondas, passou de 2 metros as ondas ficam ruins. Fomos para Itaúna, local das maiores ondas do país, seu fundo agüenta ondulações de mais de 3 metros. Mas para nossa surpresa o mar estava completamente flat, parecia uma lagoa. Voltamos à Vila, tomamos um chimarrão e decidimos retornar para Itaúna, pois não era possível a Vila ter mais de 2 metros de onda e Itaúna nada.
Itaúna fica a cerca de 2 km da Vila e ao entrarmos na pequena rua que emboca na praia tivemos uma surpresa. Uma série com ondas de 2,5 metros entreva na bancada. Ondas perfeitas, parecia o Havaí. A série tinha cerca de 10 ondas, depois o mar ficava flat e cerca de dois minutos depois nova série entrava na bancada. O melhor de tudo era que não tinha ninguém na água, pois o pessoal de Saquarema só cai no mar depois das 9 h, e nós estávamos na praia às 6h.
Peguei minha prancha, passei parafina e fui pro mar. Não era necessário roupa de borracha já que havia sol e a temperatura era de mais de 26º. As ondas em Itáuna são muito perfeitas, entra-se no mar por um longo canal. Naquelas condições elas quebravam longe da praia. O surf em Itaúna não é para amadores, como eu estava com uma base boa e vinha evoluindo no meu surf, peguei ótimas direitas em minha primeira sessão. O João era bem mais experiente que eu e também surfou boas ondas. Itaúna tem um power fortíssimo, as ondas quebram com muita intensidade e cair na base e a certeza de grande caldo, entretanto elas são perfeitas e vão abrindo, abrindo...
As direitas morrem no canal e voltar ao outside é barbada, já as esquerdas a remada de volta é bem complicada. Lembro que em uma das minhas direitas, a onda não terminava, ela ia se formando com parede de mais de um metro e meio, fiz algumas manobras e muitos cut backs. A sessão foi inesquecível e ficamos na água por mais de 2 horas, quando começaram a chegar outros surfista e logo o pico crowdeou.
Por volta de meio-dia caímos novamente, mas o mar havia baixado. No final de tarde com maré baixa, as ondas ficaram poderosas, mas a havia mais de 50 surfistas na água e todos muito bons, então era difícil pegar boas ondas. Com o passar do tempo fomos conquistando nosso espaço em Saquarema e claro começou a sobras algumas das melhores da série. Mas aí já é outra história...
Foto- Sandro Sauer surfando em Naufragados/SC
Autor- Roberto Moure
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Memórias Salgadas- Praia Vermelha, a 1ª onda
Eu já vinha surfando desde o verão de 1984, quando iniciei no esporte na Guarda do Embaú. Naquele ano tive minhas primeiras experiências com o surf nos finais de semana, já que morava em Porto Alegre e durante a semana era estudante. Minhas jornadas eram principalmente para Capão da Canoa, onde sempre estava acompanhado de um grande amigo o Roberto Santana, conhecido por Negão, um loirinho que era fera no skate e surfava bem. Além de Capão da Canoa íamos para as praias catarinenses de Imbituba e Rosa.
Mas tive dificuldades no começo do meu surf, como sempre pratiquei esportes, minha resistência era ótima e conseguia entrar em qualquer mar. Mas a habilidade era pouca e até março de 1985, eu somente remava, tomava grandes vacas (caia na onda) e muitos caldos. Mas foi um bom período.
No verão de 1985, fiquei uns dias hospedado em uma casa alugada por um grande amigo, o Dinarte Pinto, ela se situava na subida da Praia Vermelha, ao lado da Praia do Rosa, em Garopaba. Foi neste verão que conheci uma rapaziada muito legal, o Pelé e o Passarinho, gaúchos que recém haviam comprado uma casa na estrada do Rosa, em Garopaba.
Terminado o verão, o Pelé me convidou para ficar com eles mais alguns dias no Rosa. O Pelé tinha um Fusca que nos conduzia aos picos.
Foi neste período que surfei uma onda em toda a sua extensão pela primeira vez. Estava sozinho na Praia Vermelha, um point de ondas perfeitas que quebram com vento sul. A praia é rodeada por um morro pertencente a família Johanpetter. Para chegar na praia é necessário uma caminhada de cerca de 500 m, uma subida íngreme.
Certa manhã, no mês de março de 1985, eu estava sozinho na casa do Pelé, pois ele e o Passarinho haviam viajado à Porto Alegre e fui surfar numa manhã de vento sul na Vermelha.
As ondas estavam com mais de um metro e com boa formação. Entrei no mar pelo canal e aguardei uma série. E logo ela veio. Eu tinha uma prancha Magia, fabricada no Nordeste, e quando a série chegou, remei para uma das ondas e finalmente pude sentir uma das sensações mais incríveis da minha vida. Passei várias sessões da onda, sem cair da prancha. Jamais esquecerei este momento. Lembro que no meio da onda eu vibrava como uma criança. Quando ela se acabou, voltei remando para o outside (local onde quebram as ondas) e naquele dia consegui surfar mais duas ou três ondas. A cada nova série parecia que Deus me olhava e dizia: vai lá garoto! Fiquei extasiado por horas.
A Praia Vermelha é para mim um lugar especial e mágico. Suas ondas são de qualidade internacional. Tive ótimas sessões lá e pude desfrutar de suas ondas por mais de um ano, sempre que o vento sul predominava em Garopaba, já que fiquei hospedado na casa do Pelé até o inverno de 1986. Neste período peguei muitas ondas no Rosa Norte e Rosa Sul. Mas estas eu deixo para contar depois...
Foto- As ondulações de Sul na Vermelha
Autor- Surf4ever.wordpress
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Memórias salgadas- Guarda do Embaú- 1983
No inicio dos anos 80 resolvi mudar minha vida e tornar-me surfista. Em dezembro de 83 comprei minha primeira prancha do meu amigo Kadu Pinto. Era uma monoquilha, marca Puravida, tamanho 6’10”, shapeada por Jhonny B. Good, um surfista carioca que havia se radicado no Sul nos anos 70 e era um renomado shaper.
Meus primeiros passos no esporte foram na Guarda do Embaú, em Santa Catarina, na época reduto de surfistas cariocas e paulistas. Enrolei a prancha num cobertor verde e rumei para Florianópolis, de onde peguei um ônibus até a Praia da Pinheira, que se situa ao lado da Guarda.
Como já conhecia a Guarda, fui logo procurar a Dona Mariazinha, que era proprietária de praticamente todas as casas que havia lá. Se não era dela, era de algum dos seus filhos. Ela me alugou uma pequena cabana, de uma peça só e sem banheiro. Uma verdadeira mansão. Comigo, além da prancha, um gravador e algumas fitas cassetes.
A cabana ficava ao lado da casa do João, filho da Dona Mariazinha. A Guarda era uma pequena vila de pescadores e existiam poucas casas e poucos estabelecimentos comerciais. Alguns mercadinhos e o famoso bar da Valdirene, onde a rapaziada se reunia para jogar sinuca e fazer um lanche rápido.
As ondas da Guarda eram famosas no mundo inteiro. Eu pouco sabia delas, como passei o verão todo de 84 lá, passei a conhecer o mar e e dei minhas primeiras remadas. Foi neste verão que aprendi os fundamentos da remada e do joelinho. Na realidade não fiquei em pé na prancha, apenas tentativas.
Mas eu gostava de estar dentro da água, lembro que um dia fui para a praia e quando cheguei o mar estava muito grande, algo em torno de 2 a 3 metros. Fiquei um pouco assustado, mas fui. Consegui entrar com facilidade. Mas chegando ao outside percebi que não estava preparado para aquele tipo de mar, uma ressaca. Tive medo e na primeira oportunidade virei a prancha para terra e uma grande espuma me devolveu a praia. As ondas da Guarda são poderosas, perfeitas e fortes e quebram com todos os tamanhos.
Na metade do verão, um amigo meu, o Ricardo Moure, conhecido por Beiço, apareceu em minha casa juntamente co sua namorada. Da minha turma, era o único surfista. Ele tinha uma prancha JR fabricada no Rio de Janeiro e pegava umas ondas direitinho.
Eu dividia a cabana com um pequeno enxame de abelhas, mas vivíamos pacificamente e nunca tive problemas com elas. Entretanto o Beiço gostava muito daquela companhia e numa bela manhã, pegou um inseticida e o despejou na pequena colméia. O resultado foi que elas ficaram muito indignadas e raivosasa passaram a atacar o meu amigo. Foi incrível, pois elas somente atacaram a ele. Eu e a Vane Mari, a namorada do Beiço, fomos poupados do ataque.
O Beiço ficou por cerca de dez dias e depois me deixou. O João, meu vizinho e filho da Dona Mariazinha, tinha uma filha de 7 anos, não me lembro o nome dela, mas todos os dias, pela manhã, antes de eu ir pegar ondas, ela brincava comigo. Era uma parceira a quem me apeguei, pois sempre gostei de criança.
Quando iniciou suas aulas, no primeiro dia, uma tragédia aconteceu. Ela estudaria na Pinheira e quando voltava, ao descer do ônibus, foi atropelada e morreu. Foi um dos dias mais tristes da minha vida e de toda a comunidade da Guarda. Lembro dela como um anjo.
No surf,a música sempre me acompanhou. Naquela minha primeira viagem levei duas ou três fitas cassetes que embalaram meus dias e minhas noite. Neil Youg (Cortez The Killer), Yes ( Close to the Edge), Rolling Stones ( Time Wiats for no One), AC/DC, fora alguns companheiros de minhas alucinadas viagens pela Guarda do Embaú no verão de 1983.
Quando o verão terminou e retornei para Porto Alegre, decidi que iria fundo no surf. E fui.

A casa da Dona Mariazinha é a primeira ao fundo.
Foto histórica reproduzida do site MadeinGuarda.blogspot
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Ministério do Esporte e a corrupção
Mais um ministro envolvido em escândalo de corrupção. Isto não é novidade, aliás parece ser uma regra dentro do governo federal.
O ministro dos Esportes, Orlando Silva, é suspeito de se beneficiar em programas federais de distribuição de renda a ONGs através do Programa Segundo Tempo. O pior não é isto, ele está profundamente envolvido na Copa 2014, sendo o negociador número 1 com a Fifa.
Quantas mazelas não existirão por trás desta mega negociações. Se ele tira dinheiro de crianças que seriam beneficiadas co o Programa Segundo Tempo, imaginem o que não fará com as cifras astronômicas que envolvem a Copa.
Aliás, ele liberou R$ 6 milhões para o ex-presidente do Palmeiras Mustafa Contursi fazer um diagnóstico das torcidas organizadas no Brasil. É um bom dinheiro. O incrível é que este diagnóstico nunca apareceu.
Vai cair mais um ministro, mas os que entram não são muito diferentes...
18 de outubro de 2011 8h12
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